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Artigo

Abol: 14 anos construindo o futuro da logística brasileira

Marcella Cunha

20/07/2026 06h06

Foto: Ilustrativa

Dia 17 julho, a Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (Abol) completou 14 anos de atuação. A cada virada de ano, olhamos o caminho percorrido, reconhecemos novos obstáculos e, principalmente, pensamos no que pode vir pela frente para quem move a logística.

Vivemos um momento interessante da cadeia logística nacional. A transformação digital avança em ritmo acelerado, a Inteligência Artificial ganha espaço nos processos, a pauta ambiental deixou de ser tendência para se tornar exigência, e a  intermodalidade/multimodalidade passou a ocupar posição central no planejamento das empresas.

Nesse cenário, o papel de uma entidade representativa vai muito além da defesa de interesses: é preciso gerar conhecimento, promover diálogo, antecipar tendências e ajudar a moldar políticas públicas capazes de fortalecer todo o ambiente de negócios. Essa tem sido a missão da Abol: participar ativamente das transformações do mercado, aproximando operadores, governos, academia e demais agentes do ecossistema para discutir soluções que preparem o país para uma logística mais ágil, integrada e responsiva.

2026 é um ano especialmente simbólico para a entidade. O grande marco dessa história, o Projeto de Lei nº 3.757/2020, que cria a figura do Operador Logístico, pode avançar para uma etapa decisiva com sua apreciação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, prevista para agosto.

A proposta, construída com diálogo, estudos técnicos e articulação institucional, trará mais segurança jurídica às operações, reconhecerá oficialmente a atividade e criará um ambiente mais favorável a investimentos e ganhos de eficiência.

Agosto também marca a décima edição do Congresso Abol, um dos principais fóruns de discussão do setor. O evento reúne lideranças empresariais e especialistas para troca de experiência e busca de soluções para questões prioritárias no contexto atual.

No segundo semestre, outro destaque será a divulgação da nova edição do estudo “Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil”, encomendado ao ILOS. A publicação tornou-se referência de mercado ao retratar a evolução das empresas, os investimentos realizados, as tendências tecnológicas, os desafios de gestão de pessoas e as perspectivas para um segmento cada vez mais estratégico para a economia.  

Nesta edição, estamos ansiosos para analisar os dados referentes ao nível de integração entre os modais, no formato da multimodalidade. Será uma primeira análise segura e concreta sobre o nível de maturidade dos operadores logísticos ao considerarem diferentes modais em seus serviços, bem como sobre os desafios a serem superados.  

A agenda de conhecimento seguirá em expansão com novas entregas, como o guia prático  sobre a atuação dos operadores logísticos na indústria farmacêutica e a divulgação do terceiro Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa das filiadas, iniciativa que reforça o compromisso da entidade com práticas ambientais alinhadas às melhores referências internacionais.

Essas ações refletem as prioridades estratégicas da Abol para 2026: integração entre os modais, redução de custos, Reforma Tributária, capital humano, tecnologia, automação e mercado de carbono. Cada frente é conduzida por uma diretoria dedicada, estruturada para ampliar a participação das empresas associadas, aprofundar discussões, manter os operadores logísticos em sintonia com as mudanças, além de converter informações qualificadas em propostas concretas.

Ainda há muito pela frente. O país precisa de uma lógica conectada de rede, reduzir o chamado “Custo Brasil”, acelerar os aportes em infraestrutura, ampliar a digitalização dos sistemas, enfrentar a escassez de motoristas e de mão de obra capacitada dentro de nossos CDs e armazéns, e consolidar uma agenda regulatória compatível com a importância estratégica do setor.

Esses obstáculos exigem, cada vez mais, uma resposta coletiva. Nenhuma empresa, isoladamente, dará conta do novo desenho mundial, e é justamente nesse cenário que a Abol ganha relevância: estabelecendo pontes entre diferentes atores, promovendo consensos e ajudando a construir caminhos que reforcem a posição brasileira nas cadeias globais de suprimentos.

Completar 14 anos é renovar o nosso compromisso com o fortalecimento dos operadores logísticos no Brasil.

Marcella Cunha - diretora executiva da Abol. 

O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos seus autores. Não representa exatamente a opinião do MODAIS EM FOCO.