08/06/2026 14h52
Foto: Divulgação
Com mais de 8 mil quilômetros de litoral e dezenas de portos distribuídos ao longo da costa, o Brasil possui características geográficas favoráveis ao transporte marítimo entre portos nacionais. Apesar disso, a cabotagem, modalidade que movimenta cargas entre portos brasileiros, ainda ocupa uma parcela relativamente pequena da matriz logística do país.
Atualmente, as rodovias respondem por cerca de 65% do transporte de cargas no Brasil. Em seguida aparecem as ferrovias, com cerca de 20%, e o transporte aquaviário, que reúne cabotagem e navegação interior, com cerca de 15%. Quando são excluídos minérios e combustíveis da conta, a participação das estradas sobe para aproximadamente 85% da matriz de transporte de cargas.
Para ampliar as alternativas logísticas e reduzir a dependência do modal rodoviário, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) desenvolve o programa BR do Mar, conjunto de medidas que buscam fortalecer a cabotagem, aumentar a oferta de embarcações, ampliar a concorrência, reduzir os custos de transporte e, consequentemente, mitigar a emissão de poluentes e eventuais impactos ambientais relacionados à atividade de transporte.
Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, diversificar a matriz logística é fundamental para aumentar a competitividade da economia brasileira. “A dimensão continental do Brasil exige soluções logísticas diversificadas e eficientes. O fortalecimento da cabotagem amplia as opções para o transporte de cargas, reduz custos, aumenta a competitividade das empresas e contribui para uma logística mais sustentável”, afirma.
Menos dependência das rodovias
Um maior equilíbrio da matriz de transporte é algo que pode reduzir os custos logísticos brasileiros, já que as estradas ficam mais expostas a congestionamentos, interrupções operacionais, oscilações nos custos de combustível, riscos de acidentes e desafios de manutenção; fatores aos quais o transporte por cabotagem está menos exposto.
Em países com matrizes logísticas mais equilibradas, o transporte marítimo de curta distância desempenha papel relevante na movimentação de mercadorias. Estudos sobre as chamadas “autoestradas do mar”, muito usadas na União Europeia, mostram que a integração entre portos, rodovias, ferrovias e hidrovias permite criar cadeias logísticas mais eficientes, reduzindo custos, ampliando a previsibilidade das operações e diminuindo a pressão sobre as estradas e meio ambiente.
Nesse modelo, o transporte marítimo funciona como uma extensão dos corredores terrestres, conectando diferentes regiões por meio de serviços regulares e integrados, com ganhos de escala, menor consumo energético e redução de emissões.
Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que até 65% das cargas transportadas no Brasil poderiam utilizar a cabotagem em alguma etapa de sua movimentação, demonstrando o potencial de expansão do modal, integração e complementariedade entre os modos.
Logística eficiente e sustentável
Além de ampliar as alternativas para o transporte de cargas, a cabotagem apresenta vantagens econômicas e ambientais. Segundo estudos da Infra S.A., o custo médio do frete por cabotagem pode ser até 60% menor que o transporte rodoviário e cerca de 40% inferior ao ferroviário para determinadas operações. Além disso, a cabotagem tem potencial para reduzir os custos de frete em até 15%, gerando uma economia anual de até R$ 19 bilhões para empresas e consumidores.
Os ganhos também aparecem na área ambiental. Esse modelo pode reduzir em mais de 80% as emissões de gases de efeito estufa, em comparação com outros modais de transporte de cargas, além de apresentar menor intensidade de emissão por tonelada transportada.