16/02/2026 10h33
Foto: Divulgação
A barreira dos 1.000 km de autonomia já foi quebrada e, por enquanto, só uma empresa conseguiu fazer isso virar realidade em carros de produção: a BYD. Dados recentes do mercado chinês mostram que a marca não apenas lidera em volume global de elétricos, mas também passou a dominar o topo tecnológico da autonomia, abrindo uma nova fase na corrida da eletrificação.
O ranking mais recente de alcance na China mostra três modelos acima da marca simbólica dos 1.000 km no ciclo local CLTC, todos dentro do ecossistema premium da própria BYD. O Denza Z9 aparece com 1.068 km e bateria de 122,5 kWh, seguido pelo Denza Z9 GT, com 1.036 km usando o mesmo pacote. Logo atrás vem o Yangwang U7, com 1.006 km graças a uma bateria ainda maior, de 150 kWh.
Abaixo desse grupo, o teto do mercado hoje está na faixa entre 830 e 900 km CLTC. Modelos como Xiaomi SU7, Zeekr 007, Mercedes-Benz CLA EV e Tesla Model 3 aparecem nessa zona, que representa o limite atual da maioria dos elétricos de grande volume.
O salto para além dos 1.000 km, porém, não vem necessariamente de uma revolução em eficiência. O avanço está ligado principalmente ao tamanho das baterias. Os modelos acima dessa barreira usam pacotes superiores a 120 kWh, enquanto carros entre 800 e 900 km normalmente ficam entre cerca de 90 e 110 kWh. Isso explica por que o marco aparece primeiro em sedãs grandes e modelos premium, capazes de absorver peso e custo adicionais.
Mesmo assim, o movimento tem impacto estratégico relevante. Ao dominar desde a produção de células até a integração completa do pack e do software de gerenciamento, a BYD consegue avançar simultaneamente em escala industrial e em tecnologia de ponta, algo raro hoje no setor.
Entrega no Brasil
Essa estratégia começa a dialogar com o mercado brasileiro com a expansão da Denza, divisão premium do grupo. A marca já iniciou operação no país e posiciona o Z9 GT como vitrine tecnológica, com chegada prevista ainda em 2026 e preço sugerido na faixa de R$ 650 mil. A primeira unidade simbólica já foi entregue ao piloto Felipe Massa, embaixador da marca no Brasil.
No curto prazo, modelos desse nível têm peso mais estratégico do que comercial. Funcionam como prova de capacidade tecnológica, enquanto soluções desenvolvidas nesse topo, em densidade energética, gerenciamento térmico e software, tendem a migrar para veículos de maior volume nos anos seguintes.
A marca dos 1.000 km também precisa ser lida com contexto fora da China. O ciclo CLTC costuma gerar números mais otimistas que o WLTP, usado em boa parte do mundo. Ainda assim, o avanço mostra que a disputa por autonomia virou um indicador direto de domínio tecnológico na cadeia de baterias, hoje o principal campo de batalha da indústria.
A próxima fase da corrida não deve ser apenas aumentar autonomia, mas transformar essa margem em eficiência real e redução de custos. E, historicamente, quem domina o topo tecnológico costuma sair na frente quando chega a hora de escalar para o mercado de massa.
Fonte: Inside Evs