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Sustentabilidade

Continente europeu volta a liderar o desempenho ambiental global

No ranking ambiental global 2026, a Europa lidera sustentabilidade e Brasil ocupa a 50ª posição

16/07/2026 09h41

Foto: Ilustrativa

O Environmental Performance Index (EPI) 2026, divulgado por pesquisadores da Universidade Yale e da Universidade Columbia, coloca 15 países europeus entre os 20 melhores do mundo em sustentabilidade, reforçando o protagonismo da região em políticas de redução das emissões de gases de efeito estufa, conservação da biodiversidade e gestão ambiental. O levantamento avaliou 177 países com base em 47 indicadores distribuídos em 12 categorias relacionadas à saúde ambiental, vitalidade dos ecossistemas e mudanças climáticas. O estudo pode ser conferido neste link.

A liderança do ranking ficou com a Estônia, que alcançou 74,79 pontos, seguida por Luxemburgo (74,24), Reino Unido (71,51), Finlândia (71,04) e Países Baixos (70,49). Alemanha, França, Noruega, Suécia e Áustria completam as dez primeiras posições. Segundo os pesquisadores, o desempenho da Estônia está diretamente relacionado à forte redução das emissões de gases de efeito estufa após a diminuição do uso de usinas movidas a xisto betuminoso e ao avanço das energias renováveis, além dos investimentos na proteção dos ecossistemas.

O relatório destaca, porém, que os bons resultados europeus não significam que o continente esteja no caminho ideal para cumprir as metas climáticas. A avaliação conclui que o mundo permanece distante da trajetória necessária para limitar o aquecimento global a 1,7°C. Apesar do crescimento da geração de energia renovável e dos ganhos em eficiência energética registrados na última década, as emissões globais de gases de efeito estufa continuam aumentando. A maioria dos países ainda não reduz suas emissões na velocidade exigida para alcançar a neutralidade climática até 2050.

Renda e desempenho ambiental

O Environmental Performance Index também evidencia que a renda continua sendo um fator importante para o desempenho ambiental. Países de alta renda tendem a obter melhores resultados por possuírem maior capacidade de investimento em infraestrutura, saneamento, energias limpas e governança ambiental. No entanto, os pesquisadores ressaltam que riqueza não determina, por si só, o sucesso das políticas ambientais, já que diversos países conseguem superar outros com níveis semelhantes de desenvolvimento graças à adoção de políticas públicas eficientes e planejamento estratégico.

Entre as grandes economias, o Japão aparece na 16ª colocação, enquanto a Austrália ocupa o 25º lugar. Os Estados Unidos figuram apenas na 27ª posição e o Canadá na 29ª. A China aparece em 129º lugar, refletindo desafios relacionados às mudanças climáticas, apesar dos avanços registrados em energia renovável e na melhoria de alguns indicadores ambientais. A Índia ocupa a penúltima colocação do ranking, à frente apenas do Laos, último colocado entre os 177 países avaliados.

Na América Latina, o Chile lidera o desempenho regional ao ocupar a 41ª posição mundial. O Brasil aparece em 50º lugar, com pontuação de 48,27, figurando entre os países latino-americanos mais bem avaliados pelo índice. Colômbia (48º), Costa Rica (45º) e Chile aparecem à frente do Brasil na região.

Além da atualização do ranking, a edição de 2026 trouxe avanços metodológicos importantes. Mais da metade dos indicadores passou a utilizar inteligência artificial para ampliar a cobertura geográfica e temporal dos dados ambientais. O estudo também incorporou um novo indicador para monitorar a condição das áreas de campos naturais (grasslands), ecossistemas historicamente pouco avaliados, mas que desempenham papel essencial na conservação da biodiversidade e no armazenamento de carbono.

Os pesquisadores ressaltam que o Environmental Performance Index é uma ferramenta para orientar políticas públicas e investimentos ambientais, permitindo que governos, empresas e instituições comparem resultados, identifiquem boas práticas e acompanhem a evolução de seus indicadores ao longo do tempo. A conclusão do relatório é clara: embora existam avanços importantes em diversas regiões do planeta, o ritmo atual ainda é insuficiente para cumprir os compromissos internacionais de combate às mudanças climáticas e proteção dos ecossistemas.