16/03/2026 10h41
Foto: Divulgação
A Cosco Shipping Lines anunciou que não pretende deixar o Panamá, após a suspensão de seus serviços no porto de Balboa ter levantado questionamentos no setor marítimo e logístico.
Fontes ligadas à empresa de navegação disseram ao jornal La Prensa que a medida se deve a um ajuste na rede operacional. "Estamos simplesmente reconfigurando as escalas de nossos navios porta-contêineres para outros portos (...) não estamos saindo do Panamá", afirmaram.
O esclarecimento surge após um comunicado emitido pela companhia de navegação em 10 de março, no qual informava seus clientes sobre a suspensão das partidas e chegadas de seus serviços no porto de Balboa, localizado no acesso do Pacífico ao Canal do Panamá.
Até o momento, a Cosco não divulgou publicamente os motivos dessa decisão, nem especificou se a suspensão será temporária ou permanente. Também não indicou se retomará as operações naquele terminal.
A medida surge em meio a recentes mudanças no sistema portuário panamenho. Semanas atrás, a Suprema Corte declarou inconstitucional o contrato de concessão entre o Estado panamenho e a Companhia de Portos do Panamá (PPC), que desde 1997 permitia à subsidiária da CK Hutchison Holdings operar os portos de Balboa e Cristóbal.
Após a decisão judicial, o Estado assumiu o controle de ambos os terminais e, posteriormente, concedeu contratos temporários por 18 meses para garantir a continuidade das operações enquanto uma nova licitação internacional é preparada.
Nesse contexto, a administração do Porto de Balboa foi confiada à APM Terminals Panama, subsidiária da Maersk, enquanto o Porto de Cristóbal ficou a cargo da Terminal Investment Limited (TiL), ligada à MSC. Ambas as operações estão sob a supervisão da Autoridade Marítima do Panamá.
A Cosco também informou que os contêineres vazios devem ser devolvidos aos portos do Terminal Internacional de Manzanillo (MIT) e do Terminal de Contêineres de Colón (CCT), ambos localizados na província de Colón.
Por sua vez, o Ministro dos Assuntos do Canal, José Ramón Icaza, comentou que a situação os pegou de surpresa, considerando que a Cosco representa 4% da carga que passa por Balboa. “Toda carga é importante, e a carga da Cosco certamente é importante para nós, para o Panamá, e obviamente esperamos que eles reconsiderem sua decisão de não usar o porto”, disse ele.
Fonte: Mundo Marítimo