15/10/2026 09h16
Foto: Divulgação
O Ministério de Minas e Energia (MME) iniciou as discussões para regulamentar o uso de biocombustível por embarcações, com foco na mistura de etanol ao óleo bunker, combustível derivado de petróleo usado nos navios.
Um primeiro encontro entre produtores e representantes do governo foi realizado no início de outubro, em Brasília, e os produtores sugeriram a criação de uma agenda de trabalho.
O MME também afirmou que enviará ao Congresso, ainda em 2026, um projeto de lei para criar uma política nacional de combustíveis sustentáveis de navegação.
A pasta sugere caráter obrigatório para as metas, e o setor defende que a política mantenha alinhamento com as regras em discussão na Organização Marítima Internacional (IMO) para tratar da regulamentação.
Segundo Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE e vice-presidente da Bioenergia Brasil, a adição de apenas 10% de etanol ao bunker representaria um mercado potencial de cerca de 50 bilhões de litros. O percentual, porém, ainda não foi definido como regra.
Encomendas de navios
A discussão ocorre em meio a uma onda de encomendas. Os armadores já pediram 336 navios que poderão ser movidos a metanol ou etanol, o que deverá representar uma demanda de 15 bilhões a 20 bilhões de litros até 2030, quando as embarcações ficarão prontas.
Os navios foram projetados para o metanol, mas a troca para etanol depende apenas de ajustes em bicos injetores e no software.
Algumas empresas já avançam em testes. A Maersk testou 100% etanol em um navio bicombustível no Porto de Roterdã, a CMA CGM carregou um navio com etanol no Porto de Santos e a Vale começou a encomendar embarcações movidas só a etanol.
A substituição do bunker, no entanto, enfrenta resistência de países grandes produtores de petróleo, como os Estados Unidos. A velocidade da transição também depende de uma medida que deve ser votada pela IMO em dezembro.