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Transporte Terrestre

Honda responde por 75% das motos usadas em entregas no Brasil

A Honda CG 160 permaneceu como o modelo mais utilizado

08/03/2026 09h24

Foto: Honda - Divulgação

O setor de delivery começou 2026 com um retrato que combina diversidade operacional e forte concentração industrial. Embora centenas de modelos diferentes de motocicletas circulem diariamente nas entregas urbanas pelo país, a frota brasileira segue amplamente dominada por uma única marca. Segundo levantamento do Data Gaudium, núcleo de inteligência da empresa Gaudium, com base nas entregas realizadas ao longo de janeiro, a Honda respondeu por cerca de 75% das motocicletas utilizadas no serviço, consolidando sua posição como principal fornecedora de veículos para o trabalho de entrega no Brasil.

A liderança se sustenta em escolhas pragmáticas dos entregadores. A Honda CG 160 permaneceu como o modelo mais utilizado, presente em aproximadamente um quarto das entregas realizadas no período. O desempenho reflete uma combinação de fatores recorrentes no setor: confiabilidade mecânica, baixo custo de manutenção e ampla disponibilidade de peças. Outras versões da mesma família, como CG 150 e CG 125, continuam relevantes, ao lado de modelos consolidados como Yamaha Factor e Honda Biz.

Um movimento mais recente aparece com a Mottu Sport 110i, fabricada pela indiana TVS e associada ao modelo de aluguel e assinatura da Mottu, indicando o avanço de soluções que reduzem o investimento inicial para quem ingressa na atividade.

Apesar da variedade aparente de marcas e modelos, o grau de concentração sugere que o mercado de delivery opera com margens estreitas e baixa tolerância a risco, explica Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo e comunidade da Gaudium. "Para quem depende da motocicleta como principal ferramenta de trabalho, a previsibilidade dos custos pesa mais do que atributos como inovação tecnológica ou diferenciação de design. Nesse contexto, a predominância da Honda funciona como um indicador de confiança construída ao longo do tempo, mais do que de ausência de alternativas", afirma.

Os dados também apontam para uma frota relativamente jovem. Motocicletas fabricadas em 2024 e 2025 já representam uma fatia relevante das entregas realizadas em janeiro, sinalizando um ciclo contínuo de renovação. Ao mesmo tempo, modelos produzidos entre 2010 e 2015 seguem em circulação, ainda que com participação menor, enquanto veículos mais antigos se tornam cada vez menos frequentes. O movimento sugere que, mesmo em um ambiente de pressão sobre renda e custos, há disposição para investir em veículos mais novos, seja por necessidade operacional, seja por exigências indiretas das plataformas.

O padrão de uso reforça o caráter essencialmente urbano da atividade. Praticamente todas as motocicletas analisadas pertencem à categoria urbana, adequada a trajetos curtos, alto volume de paradas e tráfego intenso. Esse perfil ajuda a explicar a preferência por modelos de baixa cilindrada, que oferecem maior eficiência no consumo de combustível e agilidade no deslocamento — fatores críticos para a produtividade no delivery.

No recorte tecnológico, o setor permanece ancorado em soluções tradicionais. Motores a combustão, movidos a gasolina ou flex, respondem por quase a totalidade da frota analisada. A presença de motocicletas elétricas segue residual, limitada por obstáculos como autonomia, tempo de recarga, infraestrutura urbana e custo de aquisição. Para quem depende da moto em jornadas longas e contínuas, esses fatores ainda representam uma barreira relevante à adoção.

O panorama de janeiro indica que o delivery sobre duas rodas no Brasil evolui de forma incremental, não disruptiva. A frota se renova, novos modelos de acesso ao veículo surgem, mas a estrutura do mercado permanece concentrada e avessa a riscos tecnológicos. Para fabricantes, plataformas e empresas de mobilidade, os dados revelam um setor em expansão, guiado por critérios de eficiência, confiabilidade e custo — e ainda distante de uma transição significativa para novas matrizes tecnológicas.