15/10/2026 08h24
Foto: Ilustrativa
Os investimentos em inteligência artificial (IA) estão ajudando a manter o crescimento da economia mundial em torno de 3%, mas também podem provocar grandes mudanças no mercado de trabalho, na arrecadação de impostos e na educação.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), cerca de 40% dos empregos no mundo poderão ser afetados pela IA. Nas economias avançadas, o baque da IA pode chegar a 60%.
Segundo Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI, a tecnologia poderá aumentar a produtividade em algumas funções, reduzir a importância de outras ou eliminar determinados postos de trabalho.
Segundo Georgieva, a expansão dos investimentos em IA já aumenta a demanda e os gastos com infraestrutura tecnológica, com efeitos positivos para o crescimento econômico, especialmente na Ásia.
Ao mesmo tempo, ela descreveu os impactos da tecnologia sobre o mercado de trabalho como um “tsunami de movimento lento”, que poderá transformar profundamente a maneira como as pessoas trabalham e vivem.
“IA, ame-a ou odeie-a. Ela já está aqui”, afirmou Georgieva.
A diretora-geral destacou que os investimentos em IA ajudam a sustentar a economia mundial mesmo diante das dificuldades no fornecimento de energia. Nesta terça-feira (13), o FMI projetou crescimento global de 3,1% para 2026.
Ásia deve se beneficiar dos investimentos em IA
De acordo com Georgieva, o aumento dos investimentos em inteligência artificial pode impulsionar o crescimento das economias asiáticas avançadas em 0,5 a 1 ponto percentual. Nas economias emergentes da região, o ganho pode ficar entre 0,2 e 0,8 ponto percentual.
Um ponto percentual corresponde a um ponto inteiro em uma taxa expressa em porcentagem. Assim, um aumento de 0,5 ponto percentual significa, por exemplo, que uma taxa de crescimento de 3% passaria para 3,5%.
Os benefícios estão relacionados tanto ao aumento da demanda quanto aos investimentos necessários para construir a infraestrutura de funcionamento da IA. Isso inclui equipamentos e outros recursos tecnológicos utilizados para desenvolver e operar esses sistemas.
Georgieva afirmou que Estados Unidos, China e Índia são os principais países produtores da cadeia de fornecimento da inteligência artificial.
No entanto, muitas empresas que fornecem equipamentos para essa infraestrutura estão na Ásia, incluindo a Tailândia, país que sedia as reuniões anuais neste ano.
Um estudo preliminar citado por Georgieva identificou que 10% dos empregos nos EUA já exigiam conhecimentos em inteligência artificial.
Enquanto diminuem as vagas em funções rotineiras e repetitivas, cresce a oferta de empregos com salários mais baixos em dois setores: construção civil e centros de processamento de dados, conhecidos como data centers.
Esses centros abrigam equipamentos responsáveis por armazenar e processar informações digitais, incluindo aquelas necessárias para o funcionamento de sistemas de IA.
Jovens podem perder oportunidades de primeiro emprego
A redução das vagas de entrada no mercado de trabalho preocupa autoridades internacionais, segundo a Reuters. Tharman Shanmugaratnam, presidente de Singapura, afirmou no mesmo evento que os governos precisam enfrentar rapidamente a queda na procura por profissionais recém-formados.
“Há um problema específico que precisamos resolver muito em breve: o primeiro degrau no emprego, o primeiro trabalho depois da formatura, está enfrentando uma demanda menor”, disse.
Tradicionalmente, muitos profissionais começam a carreira em funções com tarefas repetitivas e, com a experiência adquirida, avançam para cargos de maior responsabilidade.
Com a automação dessas atividades, os jovens podem encontrar mais dificuldades para conseguir o primeiro emprego e construir uma trajetória profissional.
Shanmugaratnam também alertou para o risco de a inteligência artificial ampliar as desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, tanto no crescimento econômico quanto na criação de empregos.
“A IA vai ampliar essa divergência se formos passivos demais diante dela”, afirmou. Segundo ele, os países precisam usar a tecnologia para criar empregos de qualidade, nos quais as pessoas possam aproveitar suas habilidades e continuar progredindo profissionalmente.
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, apresentou uma avaliação diferente sobre o risco de desaparecimento dos empregos de início de carreira, segundo a Reuters.
Ele afirmou não estar convencido de que a inteligência artificial eliminará esses empregos e avaliou que parte significativa das mudanças deverá ocorrer nas economias avançadas, onde estão sendo desenvolvidos grandes modelos de IA.
Nos países emergentes, Banga defendeu o uso de sistemas menores, que exigem menos capacidade de processamento e podem gerar ganhos de produtividade em atividades como agricultura, atendimento em clínicas de saúde e educação.
A proposta é aproveitar a tecnologia para melhorar o trabalho de agricultores, profissionais de saúde e professores, sem depender necessariamente de sistemas de IA que exigem grandes estruturas de processamento de dados.
Fonte: g1