20/10/2026 15h06
Foto: Divulgação
O psicólogo Hélio Malta, de 24 anos, morador do Recife, encontrou na moto elétrica adquirida há seis meses uma alternativa mais econômica e prática para os deslocamentos diários. Ele utiliza o veículo para ir ao trabalho, à academia e aos treinos de jiu-jítsu.
“Eu tenho gostado muito. É prático, considero seguro por não atingir uma velocidade muito alta e, principalmente, econômico. Não gasto uma fortuna com gasolina, e o custo da energia também é muito baixo. Tem compensado bastante em comparação com o investimento em uma moto convencional”, afirma Hélio.
A experiência de Hélio ajuda a ilustrar o potencial de crescimento desse mercado no Nordeste. A procura por soluções de mobilidade elétrica também está estimulando os planos de expansão de algumas redes, a exemplo da MotoChefe, empresa que atua no segmento de veículos elétricos leves.
Com nove lojas em operação na região, a rede prepara a abertura de outras quatro unidades, em Campina Grande (PB), Caruaru (PE), Teresina (PI) e Vitória da Conquista (BA). O investimento previsto é de aproximadamente R$ 2,5 milhões.
A companhia, que possui mais de 100 lojas e registra mais de 300 mil produtos vendidos em todo o Brasil, pretende alcançar 30 unidades no Nordeste até 2027. A estratégia inclui ampliar a presença em cidades do interior e reforçar a estrutura logística para atender à demanda regional.
Economia e praticidade impulsionam motos elétricas
Antes de optar pelo veículo elétrico, Hélio considerava comprar um automóvel. A possibilidade de experimentar uma moto emprestada de um colega, porém, despertou o interesse pela alternativa. Depois de pesquisar modelos e avaliar os custos, decidiu adquirir uma.
O veículo tem autonomia de 42 quilômetros por carga, velocidade máxima de 32 km/h e capacidade para transportar até 150 quilos. Segundo o psicólogo, o desempenho atende às necessidades de sua rotina, sem exigir recargas diárias.
“Eu não rodo essa distância toda normalmente, então os 42 quilômetros são suficientes para fazer todos os meus trajetos. Carrego a bateria uma ou duas vezes por semana e consigo ficar tranquilo, porque ela cumpre a função direitinho”, relata.
A economia e a possibilidade de escapar dos congestionamentos pesaram na decisão. Hélio considera que, neste momento, as motos elétricas oferecem uma solução mais compatível com seu orçamento e suas necessidades de deslocamento.

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Rede aposta no interior e amplia distribuição
Para Flávio Drapal, diretor comercial da MotoChefe, as características do Nordeste favorecem a expansão desse mercado. A cultura de utilização de veículos de duas rodas, as condições geográficas e as necessidades de deslocamento estão entre os fatores que orientam a estratégia da empresa.
A expansão comercial é acompanhada pelo fortalecimento da estrutura de abastecimento. A MotoChefe mantém seis centros de distribuição e uma montadora própria na Zona Franca de Manaus. Em Pernambuco, o centro de distribuição instalado no Cabo de Santo Agostinho atende à operação nordestina.
A unidade tem 4 mil metros quadrados e capacidade para armazenar até 3 mil motos. Além de agilizar as entregas, a operação contribui para a geração de quase 100 empregos diretos e indiretos, segundo as informações da empresa.
A companhia também pretende aumentar o volume de vendas na região. De acordo com Drapal, as nove unidades em funcionamento no Nordeste comercializam aproximadamente mil motos por mês. A meta é chegar a entre 3 mil e 4 mil itens vendidos mensalmente no Nordeste até dezembro de 2027.
“Nosso principal foco é estruturar ainda mais o centro de distribuição para facilitar a logística das unidades. Também estamos abrindo filiais em outros estados para tornar a operação mais eficiente e reduzir custos para os franqueados. Isso ajuda a tornar a expansão mais atrativa”, explica o diretor comercial.
O planejamento considera cidades com mais de 100 mil habitantes e inclui localidades fora das capitais. A empresa afirma receber manifestações de interesse de consumidores de diferentes municípios, o que contribuiu para a escolha dos novos pontos de venda.
Público das motos elétricas se diversifica
O perfil dos consumidores também mudou. Segundo Drapal, o mercado, inicialmente mais concentrado nas classes de renda alta, passou a alcançar diferentes faixas econômicas. A economia em comparação com outros meios de transporte e a possibilidade de adquirir um veículo próprio estão entre os motivos para essa ampliação.
Os entregadores representam outro segmento em crescimento. Para esses profissionais, bicicletas elétricas e determinados veículos autopropelidos podem ampliar a capacidade de realizar entregas e contribuir para aumentar o faturamento.
A empresa trabalha com mais de 20 produtos, entre patinetes, bicicletas elétricas, veículos autopropelidos e ciclomotores. Segundo o executivo, cerca de 90% do catálogo é formado por autopropelidos e bicicletas elétricas com velocidade limitada a 32 km/h e potência de até 1.000 watts. As exigências de habilitação e emplacamento dependem da classificação e das características de cada veículo.
A evolução tecnológica também tem ampliado a autonomia de alguns modelos, que podem chegar a 100 quilômetros, de acordo com a empresa. Para os próximos anos, a MotoChefe planeja fabricar os próprios chassis e estuda viabilizar a produção de baterias no Brasil. Atualmente, cerca de 30% das peças utilizadas são fabricadas no país, enquanto 70% são importadas, principalmente da China.
Fonte: Movimento Econômico