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Transporte Terrestre

Quase 40% dos eletrificados vendidos já são produzidos no Brasil

Participação dos modelos fabricados ou montados no país cresceu mais de seis vezes em 12 meses

06/06/2026 11h33

Foto: BYD - Divulgação

Durante anos, o crescimento dos veículos eletrificados no Brasil esteve diretamente ligado ao aumento das importações. A maior parte dos modelos vinha da China, da Europa ou de outros mercados, enquanto a produção local permanecia restrita a poucos produtos e volumes limitados. Os números mais recentes da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), porém, mostram que essa dinâmica começa a mudar.

Em maio de 2026, os veículos fabricados ou montados no Brasil responderam por 39% das vendas de eletrificados leves no país. Um ano antes, essa participação era de apenas 6%. No mesmo intervalo, os importados perderam espaço, passando de 94% para 61% do mercado. O avanço sugere uma mudança relevante no perfil da eletrificação brasileira, que começa a ganhar também uma dimensão industrial.

A evolução é ainda mais significativa porque ocorre em um momento de forte crescimento da demanda. Em maio, o mercado brasileiro registrou 44.981 emplacamentos de veículos eletrificados leves, novo recorde para o segmento. Nesse contexto, a produção nacional deixou de representar uma parcela marginal para assumir papel cada vez mais relevante no abastecimento do mercado.

A virada começa a aparecer nos números

Segundo a ABVE, a participação dos veículos nacionais avançou de forma consistente ao longo dos últimos meses. Depois de representar apenas 6% das vendas em maio de 2025, a fatia chegou a 13% em novembro, alcançou um pico de 42% em fevereiro deste ano e encerrou maio em 39%.

Tudo isso acontece em paralelo à redução da dependência de veículos importados. Embora eles continuem predominando, sua participação caiu de 94% para 61% em apenas um ano. Os números mostram que os investimentos anunciados pelas montadoras começam a produzir efeitos concretos no mercado.

Quem está puxando a nacionalização

A BYD iniciou a operação de sua fábrica em Camaçari (BA), enquanto a GWM avança com a produção nacional em Iracemápolis (SP). A Toyota mantém sua estratégia de eletrificação com modelos híbridos produzidos em Sorocaba (SP), enquanto a BMW segue fabricando veículos eletrificados em Araquari (SC). A General Motors também prepara uma nova fase de sua estratégia de eletrificação no país, com investimentos associados à operação de Horizonte (CE).

Embora cada empresa siga uma estratégia diferente, todas contribuem para ampliar a presença de veículos eletrificados produzidos localmente, reduzindo gradualmente a dependência das importações.

Além da produção em si, a nacionalização tende a gerar impactos em toda a cadeia automotiva, incluindo fornecedores de componentes, empresas de tecnologia, fabricantes de autopeças e prestadores de serviços ligados à eletromobilidade.

Até recentemente, o crescimento do segmento era visto principalmente sob a ótica comercial, impulsionado pela chegada de novos modelos importados e pela expansão das marcas chinesas. Agora, os dados começam a mostrar uma segunda camada dessa transformação: a consolidação de investimentos industriais voltados à produção local.

Para a ABVE, o processo cria um efeito multiplicador capaz de impulsionar setores como infraestrutura de recarga, baterias, sistemas elétricos e autopeças, ampliando os impactos econômicos da eletromobilidade além das concessionárias.

Fonte: Inside Evs