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Gestão

Split payment 2027: modelo é facultativo e exige atenção

Empresas devem se preparar para o impacto no caixa

27/09/2026 08h45

Foto: Ilustrativa

O Fisco informou que o split payment 2027 terá início de forma facultativa para as empresas, integrando as mudanças da Reforma Tributária. Este novo modelo permitirá a segregação dos tributos do valor destinado ao fornecedor em determinadas operações, alterando a dinâmica financeira corporativa.

Apesar de sua utilização ser inicialmente opcional, a iniciativa exige atenção das companhias, que precisarão planejar a adaptação de seus processos e sistemas financeiros. A data para a obrigatoriedade do mecanismo ainda não foi definida, conforme detalhado pela Receita Federal.

O split payment é um mecanismo pelo qual o valor correspondente aos tributos é segregado no momento da liquidação financeira da operação. Em vez de o fornecedor receber integralmente o valor da venda e, posteriormente, recolher o tributo, parte do pagamento poderá ser direcionada diretamente ao Fisco, conforme as regras do novo sistema.

Para 2027, a utilização será facultativa para as empresas. Ainda não há confirmação de quando o modelo passará a ser obrigatório. Esse ponto é relevante porque a fase inicial deve funcionar também como período de adaptação ao novo modelo.

O que ainda não está definido?

O Fisco informou que, neste momento, não é possível afirmar se a obrigatoriedade começará em 2028. Essa diferença é importante para o planejamento empresarial. A empresa pode começar a se preparar sem assumir que todas as regras de obrigatoriedade já estejam definidas.

Como o split payment pode afetar o caixa?

O principal ponto de atenção está na dinâmica do fluxo financeiro. Com a segregação dos tributos no momento do pagamento, o valor que efetivamente chegará ao caixa da empresa poderá seguir uma dinâmica diferente daquela atualmente utilizada.

Isso pode exigir uma revisão das projeções financeiras, especialmente em empresas que trabalham com margens reduzidas ou possuem elevado volume de vendas a prazo.

Impacto no capital de giro

O capital de giro merece atenção porque a empresa precisará entender como o novo fluxo de recebimento se encaixa em sua estrutura financeira. O impacto não será necessariamente igual para todos os setores ou modelos de negócio.

Empresas com grande volume de transações e diferentes formas de pagamento, por exemplo, podem precisar de ajustes mais relevantes em seus processos.

O impacto não será apenas financeiro

O split payment também pode provocar mudanças na rotina das áreas fiscal, financeira e de tecnologia. A integração entre documento fiscal, pagamento e recolhimento dos tributos exige que diferentes processos funcionem de maneira coordenada.

Sistemas e processos

As empresas devem avaliar se seus sistemas estarão preparados. Isso significa que a preparação não deve ficar restrita ao departamento tributário. Financeiro, fiscal, contábil, tecnologia e área comercial precisam considerar os efeitos da mudança de forma integrada.

O que as empresas devem fazer agora?

O fato de o split payment começar de maneira facultativa em 2027 não significa que o tema possa ser deixado para depois. O período inicial pode ser utilizado para testar processos e identificar impactos antes de uma eventual obrigatoriedade.

Algumas medidas podem ser avaliadas desde já:

  1. Mapear o fluxo atual de recebimentos: Entender como os recursos entram no caixa é essencial para comparar o modelo atual com o cenário da Reforma Tributária.
  2. Simular impactos financeiros: A empresa pode projetar diferentes cenários para avaliar possíveis efeitos sobre caixa, margem e capital de giro.
  3. Avaliar os sistemas: ERP, sistemas fiscais, meios de pagamento e ferramentas de conciliação devem ser analisados em conjunto.
  4. Revisar processos internos: A mudança pode exigir novos controles entre as áreas fiscal e financeira.
  5. Acompanhar a regulamentação: Como a obrigatoriedade futura ainda não está definida, o acompanhamento das próximas regulamentações será fundamental.

Split payment e planejamento tributário

O split payment 2027 deve ser analisado dentro de um contexto maior da Reforma Tributária. A entrada do IBS e da CBS altera não apenas a apuração dos tributos, mas também a relação entre tributação, faturamento e fluxo financeiro.

Por isso, o planejamento tributário precisará conversar cada vez mais com o planejamento financeiro. A pergunta deixa de ser apenas “quanto a empresa vai pagar de tributos?” e passa a incluir: “Quando esse valor será separado e como isso afetará o caixa da operação?”

Essa mudança de perspectiva é especialmente importante para empresas com alto volume de vendas, margens estreitas ou ciclos financeiros mais longos.

O split payment 2027 começa de forma facultativa, mas representa uma mudança relevante na relação entre tributação e fluxo financeiro das empresas. A data de uma eventual obrigatoriedade ainda não está definida, o que torna este período especialmente importante para preparação e testes.

Mais do que acompanhar a regulamentação, as empresas devem começar a avaliar os efeitos sobre caixa, capital de giro, sistemas, processos e controles internos. Antecipar essas análises permite identificar ajustes necessários antes que o novo modelo se torne obrigatório.