Utilizamos cookies de terceiros para fins analíticos e para lhe mostrar publicidade personalizada com base num perfil elaborado a partir dos seus hábitos de navegação. Pode obter mais informação e configurar suas preferências AQUI.

Economia

Vendas no varejo brasileiro sobem mais do que o esperado em junho

Apesar do avanço no mês, ⁠o setor acumulou no segundo trimestre queda de 0,4% das vendas

14/08/2026 10h03

Foto: Divulgação

As vendas varejistas subiram 0,5% em junho na comparação com o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar do avanço no mês, o setor acumulou no segundo trimestre queda de 0,4% das vendas sobre os três ‌meses anteriores, quando houve alta de 1,2%. Em maio, as vendas registraram alta de 0,3% na base mensal, após recuo de 1,5% em abril.

Em relação ao mesmo ‌período do ano anterior, o varejo registrou alta ‌de 2,9% nas vendas em junho.

Pesquisa da Reuters com analistas apontou que as expectativas eram de ganhos de 0,3% na comparação mensal e de 2,35% na base anual..

"O comércio não está num momento de inflexão. O único ponto de queda foi em abril, com retração forte. O primeiro trimestre marcou o pico da série, e ficar nesse ponto ou até superar é cada vez mais difícil", explicou Cristiano Santos, ‌gerente da pesquisa no IBGE.

"No primeiro semestre temos um crescimento significativo. 2025 todo fechou ‌em (alta de) 1,5% e, nesse semestre, o comércio avançou 1,9%", completou.

Economistas esperam moderação no setor em sintonia com a esperada desaceleração da atividade econômica, em um ambiente de política monetária restritiva, com ‌a Selic atualmente em 14%. ‌No entanto, o varejo ainda é sustentado pelo mercado de trabalho forte e medidas de estímulo ao consumo, além da desaceleração da inflação, principalmente de alimentos.

Em junho, quatro das oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo apresentaram ganhos --Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,1%), Móveis e eletrodomésticos (0,4%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,2%).

"Enquanto a desaceleração econômica e o menor nível de renda disponível das famílias nos períodos vindouros deve prejudicar o consumo de bens industriais ‌e serviços, ... a tendência é que o gasto das famílias se concentre cada vez mais no comércio, principalmente no segmento de alimentação", disse Matheus Pizzani, economista do PicPay.

Em junho, a alta do IPCA desacelerou a 0,16%, com queda de 0,24% nos preços de alimentos e bebidas.

As quatro atividades varejistas que tiveram perdas foram Livros, jornais, revistas e papelaria (-9,9%), Tecidos, vestuário e calçados (-2,6%), Combustíveis e lubrificantes (-1,7%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,3%).

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve recuo de 1,0% nas vendas gerais.

"O varejo ampliado, mais relevante para o cálculo do PIB, terá contribuição negativa para o PIB do segundo trimestre, tendo retraído 0,96% frente ao primeiro trimestre de 2026. Assim, esperamos um PIB moderado, crescendo 0,5% no segundo trimestre e 1,8% no ano, sustentado principalmente pelo setor externo", destacou André Valério, economista sênior do Inter.

Fonte: Terra