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Sustentabilidade

Wilson Sons testa biocombustível em rebocadores no Porto do Açu

A expectativa é de reduzir em até 99% as emissões de CO2 nas operações portuárias no terminal da Ferroport

24/04/2026 10h11

Foto: Vast Infraestrutura - Divulgação

A Wilson Sons iniciou um teste com biocombustível em rebocadores, no terminal de embarque de minério de ferro da Ferroport, no Porto do Açu, em São João da Barra. A iniciativa, voltada à descarbonização das operações, utilizou o Be8 BeVant, desenvolvido pela Be8, no rebocador WS Rosalvo, com expectativa de reduzir em até 99% as emissões de dióxido de carbono (CO2) em comparação ao óleo diesel marítimo.

Durante os testes, serão realizadas análises de desempenho, durabilidade e emissões, utilizando a telemetria do WS Rosalvo para elaborar o relatório com as conclusões do projeto, que será submetido a uma certificação internacional.  

O gerente de Sustentabilidade da Ferroport, Edenilson Sanches, apontou a importância da iniciativa. “Este projeto apresenta potencial para reduzir as emissões indiretas do porto como um todo, contribuindo também para a diminuição das emissões indiretas da Anglo American, a partir da redução das emissões diretas da Wilson Sons, representando um esforço conjunto de toda a comunidade portuária para a implementação de operações mais eficientes do ponto de vista energético e com menor intensidade de carbono”, afirmou.

Na visão do diretor-executivo de Rebocadores da Wilson Sons, Márcio Castro, os testes com o novo biocombustível reforçam a importância das parcerias estratégicas, reafirmando o compromisso da Wilson Sons com a descarbonização. “Estamos sempre em busca de novas tecnologias que contribuem com a segurança, eficiência e sustentabilidade do setor portuário”, destacou.

Em 2025, a Wilson Sons e a Vast também realizaram os primeiros testes de uso de HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) no setor marítimo brasileiro. O HVO, conhecido como diesel renovável ou diesel verde, foi utilizado nos rebocadores da Wilson Sons, que operam no Porto do Açu, em substituição ao óleo diesel marítimo.  

Be8 BeVant é um biodiesel "drop-in"

Produzido na planta da Be8 em Passo Fundo (RS), a partir de óleo de soja, gordura animal e óleo de cozinha usado (UCO), o Be8 BeVant é um biodiesel "drop-in". Dessa forma, é utilizado diretamente no motor da embarcação, sem a necessidade de alterar a a estrutura.

“Estamos falando de um biocombustível desenvolvido e produzido no Brasil, que entrega performance técnica similar ao combustível convencional e, ao mesmo tempo, gera um impacto ambiental transformador, sem custos de investimento de transição de equipamentos”, disse o presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella.  

Segundo o diretor de Transição Energética da Be8, Camilo Adas, apontou que foram dois anos de desenvolvimento químico e mais um ano de testes em banco de prova, em parceria com empresas como a Mahle.

“A nossa ideia era simples: se vamos criar um produto para uso 100% puro, sem mistura, que ele seja o melhor possível para isso. Queríamos um produto ideal, que pudesse ser usado diretamente no motor sem alterar absolutamente nada na cadeia de infraestrutura”, explicou o executivo.

Assim, o processo incluiu diversos ciclos de testes, reformulações e trabalho conjunto com parceiros estratégicos para garantir qualidade, eficiência energética e viabilidade regulatória. Mesmo com as vantagens, o desafio para popularizar biocombustíveis no Brasil ainda é significativo. Para Adas, o principal obstáculo é cultural e histórico.

“O senso comum ainda é fóssil. Quando Henry Ford começou a produzir seus veículos, ele usava etanol de milho. O próprio Rudolf Diesel apresentou seu motor movido a óleo de amendoim. Mas a força geopolítica do petróleo se impôs, moldando um sistema que dominou o mundo por mais de um século”, completou o executivo.