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Economia

Endividamento atinge 82% das famílias pelo sétimo mês seguido

Pesquisa da CNC mostra que 19,2% das famílias comprometem mais da metade da renda com dívidas

20/09/2026 08h41

Foto: Divulgação

O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 82% em agosto de 2026, o maior patamar da série histórica pelo sétimo mês consecutivo, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice ficou no mesmo nível registrado em julho e acima dos 78,8% de agosto de 2025.

O indicador considera famílias que possuem dívidas a vencer, estejam elas em atraso ou não. Por isso, endividamento não é sinônimo de inadimplência nem significa, necessariamente, que a família esteja sem condições de pagar suas contas.

Já a inadimplência, que mede a parcela das famílias com dívidas em atraso, subiu de 29,8% em julho para 29,9% em agosto. A parcela de famílias que declarou não ter condições de pagar as dívidas em atraso também aumentou, de 12,3% para 12,5%, o maior nível desde fevereiro.

Famílias de menor renda concentram maior inadimplência

As famílias com renda de até três salários mínimos registraram o maior nível de endividamento entre as faixas pesquisadas, com 85,1% em agosto. O percentual de famílias com dívidas em atraso chegou a 38,8%, alta de 0,3 ponto percentual em relação a julho.

Na faixa de renda entre três e cinco salários mínimos, 83,7% das famílias estavam endividadas e 28% tinham dívidas em atraso. Entre aquelas com renda de cinco a dez salários mínimos, os índices foram de 77,2% e 20,3%, respectivamente.

Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, 72,3% estavam endividadas e 14,9% tinham dívidas em atraso.

O comprometimento do orçamento também aumentou. Em agosto, 19,2% das famílias afirmaram comprometer mais da metade da renda com dívidas, maior percentual desde março. Na média, o comprometimento da renda permaneceu em 29,5%.

O tempo médio de atraso das contas subiu para 65 dias, interrompendo uma sequência de três meses de queda. A parcela de famílias com dívidas assumidas por mais de um ano chegou a 33,4%.

Principais modalidades de dívida

Na edição de julho da Peic, último levantamento em que a CNC detalhou as modalidades de dívida nos dados utilizados nesta matéria, o cartão de crédito aparecia em 85,3% das famílias endividadas. Na sequência estavam carnês, com 16,1%; crédito pessoal, com 13%; financiamento de casa, com 9,6%; financiamento de carro, com 9%; crédito consignado, com 7,1%; e cheque especial, com 3,4%.

Esses percentuais indicam a presença de cada modalidade entre as famílias endividadas e não devem ser somados, porque uma mesma família pode ter mais de um tipo de dívida.

Educação financeira ajuda a organizar despesas

Organizar o orçamento exige acompanhar receitas, despesas e compromissos já assumidos. O Caderno de Educação Financeira do Banco Central recomenda registrar as entradas e saídas de dinheiro, diferenciar despesas fixas e variáveis, considerar compromissos sazonais e avaliar regularmente se as despesas estão acima ou abaixo das receitas.

Algumas medidas práticas podem ajudar na reorganização financeira.

  • Faça um mapeamento completo: liste todas as receitas, despesas e dívidas, incluindo valores, parcelas e compromissos futuros.
  • Registre os gastos: anote despesas fixas e variáveis e acompanhe os gastos que podem passar despercebidos no dia a dia.
  • Defina as despesas essenciais: organize primeiro os recursos necessários para alimentação, moradia, saúde, educação e transporte.
  • Avalie as dívidas: confira os juros, os prazos e as condições de cada compromisso antes de decidir qual deve ser renegociado.
  • Converse com a família: quando o orçamento é compartilhado, envolver os demais integrantes pode ajudar na definição das prioridades.
  • Evite novas dívidas durante a reorganização: o Banco Central recomenda acompanhar o orçamento e usar o crédito de forma consciente para evitar o endividamento excessivo.

Como a Peic mede o endividamento das famílias

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) é realizada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. O levantamento é feito com cerca de 18 mil consumidores nas capitais dos estados e no Distrito Federal e acompanha o nível de endividamento, as contas em atraso, o comprometimento da renda e a percepção das famílias sobre sua capacidade de pagamento.

Fonte: Correio