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Transporte Aéreo

Guerra no Oriente Médio derruba demanda aérea global

O volume total de tráfego caiu 3,4%, enquanto a oferta global de assentos recuou 2,9%

29/05/2026 11h35

Foto: Rovena Rosa - Agência Brasil

A demanda global por transporte aéreo de passageiros registrou queda de 3,4% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pela Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA).

O resultado foi fortemente influenciado pela retração do mercado do Oriente Médio, afetado pelo conflito regional. Sem considerar a região, a demanda mundial teria apresentado crescimento de 1,2%.

O volume total de tráfego caiu 3,4%, enquanto a oferta global de assentos recuou 2,9%. A taxa média de ocupação atingiu 83,1%, redução de 0,4 ponto percentual em relação a abril de 2025.

Retração no mercado internacional

No segmento internacional, a demanda caiu 5,3% na comparação anual. Excluindo o Oriente Médio, houve expansão de 1,9%. A capacidade internacional recuou 5,1%, enquanto a taxa de ocupação ficou em 83,9%, queda de 0,2 ponto percentual.

Segundo Willie Walsh, diretor-geral da IATA, o desempenho global foi diretamente afetado pela situação geopolítica da região.

“A situação para o transporte aéreo permanece altamente volátil. O custo do combustível de aviação mais do que dobrou em abril, elevando as tarifas aéreas. Os dados de programação futura mostram uma oferta reduzida nos próximos meses”, disse Walsh.

Oriente Médio

As transportadoras do Oriente Médio registraram queda de 48,1% na demanda internacional em relação a abril de 2025. A capacidade foi reduzida em 38,4%, enquanto a taxa de ocupação caiu para 70,1%, redução de 13,1 pontos percentuais.

De acordo com a IATA, o tráfego aéreo continuou sendo impactado pela guerra envolvendo o Irã, embora o ritmo de queda tenha diminuído em relação a março após a entrada em vigor de um cessar-fogo considerado instável.

América Latina

Na direção oposta, as companhias aéreas da América Latina registraram crescimento de 8,9% na demanda em comparação com abril de 2025. A capacidade avançou 7,2% e a taxa de ocupação alcançou 84,6%, alta de 1,4 ponto percentual.

O resultado posicionou a região entre os mercados com melhor desempenho no período, em contraste com os efeitos observados nos fluxos ligados ao Oriente Médio.

Mercado doméstico

O tráfego doméstico global permaneceu praticamente estável em abril, frente ao mesmo mês do ano anterior. A capacidade aumentou 0,8%, enquanto a taxa média de ocupação recuou 0,7 ponto percentual, para 81,9%.

Segundo a associação, o crescimento observado em mercados como Brasil, China e Japão foi compensado por retrações registradas na Austrália, Índia e Estados Unidos.

A IATA também destacou que a capacidade doméstica do Japão acumula oito meses consecutivos de redução, apesar da melhora nos índices de ocupação.

Carga aérea

Os mercados globais de carga aérea apresentaram desempenho positivo em abril. A demanda cresceu 4% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi observado tanto no mercado total quanto nas operações internacionais.

A capacidade disponível de carga, por sua vez, apresentou retração de 0,4% no mercado global e de 0,9% nas operações internacionais.

Segundo a IATA, o crescimento foi impulsionado principalmente pelos fluxos comerciais associados à Ásia.

Custos operacionais e comércio global

A associação destacou que o comércio global recuou 2,1% em março na comparação mensal, após quatro meses consecutivos de crescimento.

Outro fator de pressão foi o aumento dos custos energéticos. Em abril, os preços do combustível de aviação registraram alta de 121,1% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto os preços do petróleo bruto avançaram 77,7%.

Apesar desse cenário, indicadores da indústria permaneceram em território de expansão. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) global subiu para 53,4 pontos em abril, enquanto o PMI de novos pedidos de exportação atingiu 50,2 pontos, ambos acima do limite de 50 pontos que indica crescimento econômico.

Desempenho regional da carga aérea

As companhias do Oriente Médio registraram o pior resultado entre todas as regiões, com queda de 18,2% na demanda de carga aérea e redução de 22,9% na capacidade.

Na América Latina e Caribe, a demanda caiu 2,8% na comparação anual, enquanto a capacidade avançou 1,2%.

Entre os principais corredores comerciais, as rotas África–Ásia lideraram o crescimento em abril, seguidas pelos mercados Ásia–Europa e pelos fluxos interasiáticos. Em contrapartida, as rotas ligadas aos países do Golfo continuaram apresentando forte impacto decorrente do conflito no Oriente Médio.