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Logística

Log planeja entregar 2 mi de m² em área bruta locável até 2028

Novo ecossistema de negócios inclui fundos de investimento próprios, consultoria imobiliária e gestão de obras e seguros

27/05/2026 07h10

Foto: Log - Divulgação

A Log Commercial Properties, empresa brasileira líder no setor de condomínios logísticos, anunciou um plano ambicioso para entregar 2 milhões de m² em área bruta locável (ABL) até 2028. 

De acordo com Sérgio Fischer, CEO da Log, a alta demanda do e-commerce criou condições de crescimento históricas para a companhia. "Estamos vivendo hoje a melhor demanda da história da empresa. 100% dos novos projetos estão sendo locados ao longo das obras, e o e-commerce é uma grande parcela disso. A gente vê os marketplaces se organizando para conseguir entregar em 24 horas em qualquer região do Brasil e a penetração do e-commerce ainda é pequena, cerca de 10% do varejo total no Brasil", explica.

A empresa tem projetos em andamento com gigantes do comércio eletrônico como Mercado Livre, Shopee e Amazon. O executivo afirma já ter fechado um contrato de 350 mil m² de ABL com um único marketplace apenas para este ano, um feito inédito para a companhia.

Log 360: ecossistema de negócios para além dos galpões

Buscando diversificar suas fontes de receita, a Log anunciou a criação do Log360, ecossistema de negócios que expande a atuação da empresa com novos serviços integrados e formas de levantamento de capital. A novidade integra iniciativas anteriores da empresa, como a Log ADM, de administração de condomínios; a Log Shop, marketplace de serviços terceirizados para locatários com empresas parceiras; o serviço de gestão de energia, voltado à eficiência energética e à compra de energia no Mercado Livre, e o Centro de Controle Operacional com novas unidades de negócios.

A empresa passa a oferecer novos serviços de gestão de seguros, gestão de obras, consultoria imobiliária, Log Social e Log CSC.

Com o novo posicionamento, a Log deixa de ser apenas uma incorporadora e locadora de galpões para se tornar uma plataforma completa de serviços e investimentos logísticos, buscando modelo de negócios "asset light" e maior rentabilidade. A meta global da companhia é de incrementar as receitas de serviços em 500% até 2030, elevando a representatividade desses serviços para até 16 pontos percentuais do Ebitda total da Log.

Uma business venture importante que agora integra o Log360 é a Log Capital, gestora de recursos criada para estruturar fundos de investimento imobiliário (FIIs) de renda, desenvolvimento e recebíveis. O objetivo é atrair capital de terceiros (varejo e institucional) para financiar o crescimento da empresa, adicionando aos quatro fundos assessorados já existentes cerca de um a dois novos fundos ao ano até 2030, trazendo cerca de R$ 1 bilhão ao ano.

"Esse movimento representa uma mudança importante na forma como enxergamos o futuro da Log. Ao longo de 18 anos construímos uma operação nacional, desenvolvemos inteligência operacional e uma expertise reconhecida pelo mercado. Agora, com a expertise que consolidamos, estamos transformando nossa forma de atuar, que vai além da construção, locação e venda dos empreendimentos", explica Sergio Fischer. 

Expansão para novas regiões do Brasil

A Log tem o plano de entregar 2 milhões de m² em ABL até 2028, e Sérgio está confiante de que a empresa pode ultrapassar a meta em cerca de 10%. Para isso, a empresa tem um plano de obras intenso com uma média de 70 mil m² por mês.

A desenvolvedora já tem 14 obras em andamento hoje e pretender chegar a dezembro com 19 obras simultâneas. O plano de expansão inclui novos condomínios logísticos em áreas de alta demanda e a entrada em novas praças este ano: dentre as novas cidades entrando no portfólio da Log, já existem obras em andamento nas cidades de Joinville e Florianópolis (SC), obras confirmadas em São Luís (MA) e Teresina (PI). A empresa também tem segundos empreendimentos confirmados em São José dos Campos (SP) e Belém (PA).

O Nordeste está no centro dos planos de crescimento da companhia. Com baixa oferta de galpões logísticos, parque existente obsoleto e demanda crescente, a região é considerada a nova fronteira de galpões classe A. Além da entrada em São Luís e Teresina, a estratégia da empresa é focar em regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes e aumentar a escala em praças onde já possui operação, como seu quinto projeto em Fortaleza (CE) e terceiro em Salvador (BA).

O objetivo da incorporadora é consolidar sua presença nas cinco regiões do Brasil e estabelecer presença nas oito capitais do Nordeste até o final do ano.

Construções até 30% mais baratas

Parte integral do plano de crescimento da Log depende do manejo dos custos de construção, que têm sido pressionados pela guerra entre Estados Unidos e Irã. A empresa relata uma projeção de aumento geral de 7,2% nos custos de construção no mercado brasileiro devido ao conflito, que poderão ser repassados nos contratos da empresa.

Mesmo em um cenário desafiador, a Log afirma ter custos de construção 20% a 30% mais baratos que o mercado (Índice Nacional de Custo da Construção - INCC), graças a um modelo de negócio que combina verticalização de processos, tecnologia avançada e economia de escala.

De acordo com Márcio Siqueira, diretor executivo de operações na Log, um dos pilares que sustentam essa vantagem competitiva é a verticalização de processos: a companhia assumiu integralmente a construção e todo o ciclo de desenvolvimento, desde a legalização e execução de projetos até o orçamento, planeamento e controle de obras. Ter uma equipe própria de produção, composta por cerca de 40 engenheiros e analistas internos, garante que as obras sejam executadas com maior agilidade e rigoroso controle de qualidade.

A empresa implementou a filosofia lean construction em todos os seus projetos, um modelo inspirado na indústria automóvel da Toyota que visa otimização de recursos, eliminação de desperdícios e máxima eficiência operacional. Cerca de 60% a 70% dos terrenos são adquiridos através de permuta,reduzindo a exposiçào de caixa, e materiais são negociados em escala e adquiridos em pacotes devido ao grande volume de construções.

A Log utiliza projetos padronizados e tecnologia BIM (Building Information Modeling) para integrar todas as disciplinas da engenharia. Isso permite detectar interferências antes mesmo do início da construção, o que reduz drasticamente o retrabalho, os custos e a perda de tempo no estaleiro.